Na década de 80 o capitalismo entrou na moda e os governos começaram a envergonhar-se de tomar decisões no domínio económico. Os políticos acataram piamente o recado dos capitalistas: não se metam, porque não percebem nada disto. E desataram a vender o todo o gás as empresas do sector público e a fazer concessões de longo prazo de muitos serviços estruturalmente públicos.
Diz-se que ao Estado compete regular. É música para os ouvidos das grandes empresas. Com a sua implantação multinacional e transnacional, estão muito bem armadas para fintar o regulador.
E o eleitor está cada vez mais consolado por ver desprovidos de poderes os políticos que considera incompetentes.
Algumas perguntas inocentes:
1) Porque é que os media opinam até à exaustão sobre a incompetência da classe política, e nunca esgotam os louvores aos magníficos empresários? Quando muito deixam escapar uns desabafos sobre as fraquezas das pequenas empresas...
2) Porque é que no momento da crise toda a gente berra que o governo tem de fazer alguma coisa, e no momento de acalmia toda a gente berra contra o governo que faça alguma coisa?
3) Porque é que toda a gente chora sobre as vítimas da crise petrolífera e toda a gente opina sobre o que o governo e a União Europeia têm de fazer para as apoiar, e ninguém se interroga sobre o destino e utilização dos rios de dinheiro que entram nos bolsos dos países e companhias produtores de petróleo? Será que eles pertencem a outro planeta? Até já os ouvimos dizer descaradamente que não concordam que o petróleo esteja tão caro... Que amiguinhos que eles são...
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