Na sua primeira entrevista como
secretário-geral (do Sindicato Independente dos Médicos), Jorge Roque da Cunha revelou uma
grande preocupação com as agressões dos utentes contra os médicos.
"Quando se chega à violência, o Estado devia ser mesmo
intransigente", disse, defendendo "uma pena muito simples: afastar essa
pessoa do acesso aos cuidados primários de saúde ou dos próprios
hospitais".
(...)
O médico lamenta que exista uma lei em relação às
instalações desportivas, que prevê o fim do acesso aos espetáculos
desportivos dos que praticam a violência, mas que tal não aconteça "em
relação à saúde".
Ressalvando uma exceção para os casos em que os utentes em questão corram perigo de vida. (J.N. 28/04/2012)
Parece-me que este médico / sindicalista não esqueceu apenas o juramento de Hipócrates, esqueceu também o bom senso.
Talvez esteja na carreira errada. Daria possivelmente um diligente juiz. Ou será que a diligência se limitaria aos crimes em que fosse a vítima?
Pela amostra, não seria apenas um juiz célere mas também inovador na fundamentação. Proibir um doente de entrar num hospital é como proibir um adepto de entrar num estádio. Só os broncos é que não percebem a semelhança: no estádio assiste-se ao jogo; no hospital assiste-se às discussões do dia seguinte ao jogo.
O jornalista quis também saber a razão das agressões. A resposta: "são da autoria de pessoas revoltadas com a vida".
Temos então todos os elementos para compor uma cena típica.
- Doutor, dê-me baixa, não aguento mais; se amanhã tiver de enfrentar o meu chefe parto-lhe a cara e desgraço a minha vida.
- Homem, a baixa é para quem está de mal com o corpo; não para quem está de mal com a vida. Vá-se embora.
- Doutor, não me atormente. Olhe que eu passo-me e aplico-lhe a primeira dose do que farei amanhã ao chefe.
- Você ameaça-me?! Pois fique sabendo que o proíbo de tornar a pôr os pés aqui ou em qualquer instituição de saúde.
- E o seu juramento de Hipócrates?!
- Ah! Bem lembrado. Pode entrar se vier em coma. Ou para a morgue.