O ministro das Finanças, Vítor Gaspar, disse ao New
York Times que as políticas "expansionistas ao estilo keynesiano"
seguidas (em Portugal) em 2008 falharam e podem mesmo ter sido "contraproducentes".
Gaspar
argumenta que as reformas estruturais acordadas no âmbito do
acordo com a 'troika' são as necessárias para Portugal. "Esta é a abordagem correta para eliminar os enormes desequilíbrios que prejudicam o país há anos". (Lusa, 24/04/2012)
Dizem para aí que o Gaspar é um bom técnico. Deveria levá-lo a sério. Mas como?
Diz ele que falharam as políticas expansionistas de 2008, de resposta à dramática crise financeira internacional, que estalou no 2º semestre desse ano.
Pronto! Falharam! O défice público de 3% em 2008, saltou para 10% em 2009 e 9% em 2010 (que inclui as perdas do BPN).
O crescimento do PIB recuou para 0% em 2008, e em 2009 foi negativo (-2,5), mas em 2010 já recuperou para +1,5.
Em resultado deste cenário a dívida publica subiu de 71% do PIB em 2008 para 83% em 2009 e 93% do PIB em 2010.
Com a "abordagem correta", isto é, a austeridade em dose cavalar, de que fala o ministro, devíamos estar a inverter o anterior falhanço.
Então vejamos! O défice público de 2011, sem o fundo de pensões da banca, seria de 7,8% (praticamente igual ao que seria o de 2010 se não fosse o BPN).
A recessão média de 2011 foi de -1,6, mas no último trimestre já ia em -2,8. E continua a agravar-se.
A dívida pública saltou em 2011 para 108% do PIB.
Pergunta
Será que o nosso destino é ficarmos sentados à espera dum futuro ministro que nos venha dizer que foram erradas as políticas expansionistas de 2008-09 e as contracionistas de 2011-12, e que é preciso experimentar outra receita?
Será que o nosso destino é sermos cobaias de economistas presunçosos e impiedosos?
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