Foi um ataque de surpresa e uma amêndoa amarga para muitos.
O ministro que se chama da solidariedade proíbe as reformas antecipadas.
Convém saber do que se trata. As pessoas com mais de 55 anos e longa carreira contributiva podiam requerer a reforma, sofrendo no valor da mesma uma redução de 6% por cada ano que faltava para atingir a idade de 65 anos.
No preâmbulo deste decreto proibitivo reconhece-se que não há estudos que comprovem o impacto negativo da antecipação das reformas no equilíbrio financeiro da Segurança Social.
Então o ministro revoga uma lei sem se apoiar em cálculos?
Não. Ele fez os cálculos mas não os quer revelar. Há uma corrida às reformas antecipadas, é um facto. Esta corrida vai agravar os encargos da Segurança Social nos próximos anos, mas vai aliviá-los a médio e longo prazo porque estas reformas ficam para sempre mais baixas.
É claro que o ministro está-se nas tintas com o longo prazo. O que ele quer é não ter dores de cabeça no seu mandato.
Pergunto-me o que leva uma geração de pessoas entre os 55 e os 65 anos a querer antecipar a saída do mercado de trabalho, com graves penalizações dos seus rendimentos futuros.
Só posso socorrer-me dos exemplos que conheço.
Há os trabalhadores de empresas familiares que em face das dificuldades dos patrões decidem libertá-los de encargos.
Há os que decidem ir-se embora em troca da sua substituição por trabalhadores mais novos, às vezes seus filhos ou sobrinhos.
Há os que se sentem com menos saúde e força e acham um dever solidário dar oportunidades a outros.
O pano de fundo é um certo cansaço com o matraquear da crise. Mas há um genuíno sentimento de altruísmo e de solidariedade intergeracional neste aumento dos pedidos de reforma antecipada.
Altruísmo e solidariedade que o ministro de vistas curtas decidiu proibir. Como se houvesse empregos para todos ali ao virar da esquina.
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