Nos primeiros dias deste mês o Eurostat publicou as estatísticas do desemprego referentes a Fevereiro e, para nossa depressão, lá estão os nossos 15%, a terceira taxa mais alta da União Europeia.
Os 14,5% previstos pelo governo e pela troika para este ano já estão ultrapassados.
Os 14,5% previstos pelo governo e pela troika para este ano já estão ultrapassados.
Vítor Gaspar engasgou-se a procurar explicações para a escalada do desemprego mas, para não pensarem que ele é um vulgar ignorante como nós, cuidou de acrescentar que até debateu o tema com o presidente da Reserva Federal norte-americana, Ben Bernanke (D. N. 4/04/2012).
Por mim ficaria mais tranquilo se soubesse que ele discutiu o problema com a empregada de limpeza do seu prédio.
Quem não se engasgou foi um tal Peter Weiss, um empertigado funcionário da Comissão Europeia, que arranjou um cabaz de hipóteses explicativas para a inesperada subida do desemprego.
Outra hipótese colocada por Peter Weiss é que este aumento esteja a ser
impulsionado pela alteração nas regras do acesso ao subsídio de
desemprego, podendo fazer com que as empresas antecipem a diminuição da
sua força de trabalho. (Diário Económico, 3/04/2012)
Isto é o que se chama uma mente criativa. E diz tudo sobre o que aqueles bárbaros do centro da Europa pensam destes preguiçosos da periferia.
Acompanhem a cena imaginada pelo Peter. O patrão chega ao escritório e encontra uma longa fila de funcionários à espera.
- Que se passa, rapaziada?
- Preciso muito de falar consigo - diz o primeiro.
- E eu também! - acrescentaram os outros em coro. Queremos ser despedidos, com urgência!
- Mas como? Como é que eu vou responder às encomendas?
- Desenrasque-se. Nós é que não vamos facilitar. Não se sabe como é que isto vai evoluir e não podemos arriscar sermos despedidos daqui a dois ou quatro anos. Agora é que é bom. Vamos receber 65% do ordenado durante uma porrada de meses, coisa que ninguém nos garante no futuro.
Assim funcionam os fulgurantes cérebros troikanos.
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