terça-feira, 17 de abril de 2012

A fabulosa corrida ao desemprego


Nos primeiros dias deste mês o Eurostat publicou as estatísticas do desemprego referentes a Fevereiro e, para nossa depressão, lá estão os nossos 15%, a terceira taxa mais alta da União Europeia.

Os 14,5% previstos pelo governo e pela troika para este ano já estão ultrapassados.

Vítor Gaspar engasgou-se a procurar explicações para a escalada do desemprego mas, para não pensarem que ele é um vulgar ignorante como nós, cuidou de acrescentar que até debateu o tema com o presidente da Reserva Federal norte-americana, Ben Bernanke (D. N. 4/04/2012).

Por mim ficaria mais tranquilo se soubesse que ele discutiu o problema com a empregada de limpeza do seu prédio.

Quem não se engasgou foi um tal Peter Weiss, um empertigado funcionário da Comissão Europeia, que arranjou um cabaz de hipóteses explicativas para a inesperada subida do desemprego.

Outra hipótese colocada por Peter Weiss é que este aumento esteja a ser impulsionado pela alteração nas regras do acesso ao subsídio de desemprego, podendo fazer com que as empresas antecipem a diminuição da sua força de trabalho. (Diário Económico, 3/04/2012)

Isto é o que se chama uma mente criativa. E diz tudo sobre o que aqueles bárbaros do centro da Europa pensam destes preguiçosos da periferia.

Acompanhem a cena imaginada pelo Peter. O patrão chega ao escritório e encontra uma longa fila de funcionários à espera.

 - Que se passa, rapaziada?

- Preciso muito de falar consigo - diz o primeiro. 

- E eu também! - acrescentaram os outros em coro. Queremos ser despedidos, com urgência!

- Mas como? Como é que eu vou responder às encomendas? 

- Desenrasque-se. Nós é que não vamos facilitar. Não se sabe como é que isto vai evoluir e não podemos arriscar sermos despedidos daqui a dois ou quatro anos. Agora é que é bom. Vamos receber 65% do ordenado durante uma porrada de meses, coisa que ninguém nos garante no futuro.



Assim funcionam os fulgurantes cérebros troikanos.


Sem comentários: