domingo, 8 de abril de 2012

Que Páscoa!


O dia é da família. É festa. Mas no meio das conversas as ansiedades latentes ensombram a desejada alegria.

Desemprego presente ou desemprego possível. Trabalho precário é já uma bênção. Cortes de remunerações e de pensões. Dramas de familiares e de vizinhos.

A Páscoa é festa da libertação. Para os hebreus, da sujeição aos egípcios. Para os cristãos a proclamação da ressurreição de Cristo e da sua presença como motor da história da humanidade.

Decididamente os cristãos estão com pouca habilidade para traduzir o que possa ser nos dias de hoje esta presença de Cristo na história. Ministros que se reclamam dos valores cristãos marcaram a semana santa com o apertar do cerco aos mais angustiados:

1. Diminuição dos apoios aos desempregados;
2. Diminuição dos subsídios por doença e até por morte;
3. Maiores restrições à concessão do rendimento social de inserção.

Não vou comentar cada uma das medidas e seus efeitos nos mais vulneráveis. 

Mas não vou calar uma perversão que se anuncia como uma magnífica regeneração:  todos os beneficiários do subsídio de desemprego e do RSI estão sujeitos a ser convocados para prestar trabalho obrigatório nos serviços públicos ou comunitários.

Eu sei que há abusadores. Mas o que eu vejo é exigir aos beneficiários destes apoios públicos o que não se exige aos condenados que estão nas prisões. O que eu vejo é substituir os lugares vagos de funcionários públicos por este exército de trabalhadores sem contrato e sem a remuneração prevista para a função. O que eu vejo é esta estranha maneira de reduzir as "gorduras" do Estado. O que eu vejo é um atropelo à dignidade humana. O que eu vejo é uma chantagem aos necessitados.




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