segunda-feira, 14 de julho de 2008

A revolta das flores



Tenho lá longe, a 170 km de distância, o meu jardim plantado à sombra da casa que me viu nascer, no bucolismo da Bouça de Lá, Bajouca (Leiria).
Diga-se em abono da verdade que é mais fruto da devoção de minha mulher do que da minha instável persistência.
Acredito que os nossos fieis jardineiros - o sapo e o ouriço cacheiro - se sintam muito depressivos com as nossas longas ausências. E desconfio que as arremetidas dos caracóis e os crescentes atrevimentos das toupeiras em criarem estações de metro precisamente nos sítios onde devia crescer um tomateiro ou uma beterraba, se devem a quebras da sua vigilância por falta de incentivos sociais.
O que eu não esperava é que as plantas também entrassem em perturbação.
Por vários sítios crescem os jarros, que tão estimados foram por minha mãe, e nunca nos recusaram a sobriedade das suas copas brancas a protegerem a inflorescência amarela. Pois acabou-se esse mundo previsível. Da nossa última visita trouxe com espanto este testemunho da insubordinação da natureza. Umas cinco flores de jarro fundiram-se numa só, originando a estranha forma que as imagens documentam.
Ao que a crise chegou...

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