A minha actividade cruza-se há muitos anos com os profissionais da docência e particularmente com os que apoiam os alunos com necessidades especiais.
É fácil reconhecer que nas últimas dezenas de anos a docência do ensino básico se tornou cada vez mais stressante (passe o anglicismo).
Há muitos factores convergentes: pais ausentes ou hipersensíveis às birras dos seus filhos (ou as duas coisas ao mesmo tempo), ambiente social sensibilizado para os direitos da criança, alargamento da escolaridade obrigatória, diminuição sensível da taxa de abandono, que significa manter na escola a franja mais difícil de integrar.
O "sistema", que mantém o modelo organizacional novecentista desenhado para a educação dos cidadãos ansiosos de ascensão social, não consegue adaptar-se às novas missões, que incluem a substituição da família no período laboral e a oferta de um ambiente construtivo para todo o tipo de crianças: as curiosas, as inteligentes, as activas, as passivas, as doentes, as limitadas intelectual ou fisicamente, as desinteressadas, as provenientes de minorias culturais e étnicas. E atrás de cada uma os respectivos progenitores.
Em vez de refundar o modelo, o sistema reage como todos os sistemas: despeja burocracia em cima dos problemas.
O "velho" professor de alguns anos atrás era o rei da sala de aula. Inovava ou preguiçava. Mas criava uma ordem, autoritária ou criativa, mas uma ordem reconhecida.
Hoje o professor não tem como fugir ao controlo burocrático.
O aluno não aprende? Envia-se às comissões de sábios das cabeças. O aluno aprende demais? Envia-se aos caçadores de sobredotados. O aluno parece maltratado? Envia-se à comissão dos desarranjos sociais, vulgo CPCJ. O aluno porta-se mal? Manda-se ao director para processo. O aluno não atinge os objectivos curriculares? Manda-se ao conselho e aos pais a notificação do risco de retenção.
Para todos os envios a respectiva guia de marcha, vulgo relatório.
Quantos alunos e quantos minutos sobram para ser o gestor dum grupo de aprendizagem?
Ser professor é obra...
Compreendo o stress. Mas não perdoo que falhem nem que alijem sobre outros as culpabilidades.
Parem, pensem, escutem e... refundam a escola! Têm cabeça e mãos para isso.
É fácil reconhecer que nas últimas dezenas de anos a docência do ensino básico se tornou cada vez mais stressante (passe o anglicismo).
Há muitos factores convergentes: pais ausentes ou hipersensíveis às birras dos seus filhos (ou as duas coisas ao mesmo tempo), ambiente social sensibilizado para os direitos da criança, alargamento da escolaridade obrigatória, diminuição sensível da taxa de abandono, que significa manter na escola a franja mais difícil de integrar.
O "sistema", que mantém o modelo organizacional novecentista desenhado para a educação dos cidadãos ansiosos de ascensão social, não consegue adaptar-se às novas missões, que incluem a substituição da família no período laboral e a oferta de um ambiente construtivo para todo o tipo de crianças: as curiosas, as inteligentes, as activas, as passivas, as doentes, as limitadas intelectual ou fisicamente, as desinteressadas, as provenientes de minorias culturais e étnicas. E atrás de cada uma os respectivos progenitores.
Em vez de refundar o modelo, o sistema reage como todos os sistemas: despeja burocracia em cima dos problemas.
O "velho" professor de alguns anos atrás era o rei da sala de aula. Inovava ou preguiçava. Mas criava uma ordem, autoritária ou criativa, mas uma ordem reconhecida.
Hoje o professor não tem como fugir ao controlo burocrático.
O aluno não aprende? Envia-se às comissões de sábios das cabeças. O aluno aprende demais? Envia-se aos caçadores de sobredotados. O aluno parece maltratado? Envia-se à comissão dos desarranjos sociais, vulgo CPCJ. O aluno porta-se mal? Manda-se ao director para processo. O aluno não atinge os objectivos curriculares? Manda-se ao conselho e aos pais a notificação do risco de retenção.
Para todos os envios a respectiva guia de marcha, vulgo relatório.
Quantos alunos e quantos minutos sobram para ser o gestor dum grupo de aprendizagem?
Ser professor é obra...
Compreendo o stress. Mas não perdoo que falhem nem que alijem sobre outros as culpabilidades.
Parem, pensem, escutem e... refundam a escola! Têm cabeça e mãos para isso.
1 comentário:
Comento-me a mim próprio.
Confiar nos alertas do corrector ortográfico dá no que dá. No último parágrafo escrevi o imperativo "refundam", quando queria escrever "refundem", com o significado de fundar de novo, reconstruir. Tal como está afinal também serve. "Refundir" significa derreter de novo, mas também significa (ver Priberam) refazer, mudar a forma de.
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