É suposto a União Europeia ser uma comunidade de estados democráticos e independentes, que cedem soberania em regime de reciprocidade e na condição das decisões vinculativas serem tomadas por unanimidade.
A crise veio demonstrar que não é bem assim. Ou que não é nada assim.
O primeiro-ministro grego Papandreu, apertado pelos seus sacrificados contribuintes, resolveu anunciar um referendo às medidas de austeridade. E logo um imenso clamor se levantou no emproado eixo franco-alemão, logo secundado por outros serventuários, contra este atrevimento de devedores. O povo grego só tem que cumprir e calar.
E para não restarem dúvidas sobre quem manda, o Sr. Papandreu foi forçado a demitir-se e a entregar o poder a um tecnocrata com a confiança da "Europa". E os gregos lá continuarão a ser espremidos, quer concordem ou não.
Pouco depois os mercados atiraram-se a um osso mais duro: a Itália. E o Sr. Berlusconi, que resistiu a todo o tipo de oposição no seu país, foi empurrado borda fora pelos seus pares e forçado a entregar o poder a um tecnocrata da confiança dos auto-nomeados patrões da Europa, Merkel e Sarkozy.
Posto isto, já não me espanto que o nosso primeiro-ministro tenha ficado com as ideias muito claras logo que visitou a Srª Merkel: só temos que nos ocupar em fazer sacrifícios e pagar a dívida e não nos podemos dar ao luxo de discutirmos outras ideias sobre a crise europeia.
A bom entendedor...
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