Já aqui zurzi bastante a histeria da austeridade que o discurso dominante nos inculca de todas as formas e feitios.
O cidadão comum, de tão sufocado pelo quase unanimismo reinante, já nem consegue reagir e parece carregar resignadamente a carga que lhe impõem.
E o que é que nos propõem os austeritários?
Simples e linear: Se ganharmos menos por mais trabalho os nossos empresários produzem mercadorias mais baratas e aumentam as exportações. Pelo meio, o governo aproveita para nos meter a mão ao bolso conseguindo dois em um: equilibra o orçamento e livra-nos de compras malucas de inutilidades made in fim-do-mundo.
O esquema está a correr tão bem que o ministro das finanças já disse que lá para 2014 a balança com o exterior estará equilibrada. Pelo meio há muita recessão e desemprego, mas isso são detalhes secundários ou, como se diz na guerra, são danos colaterais.
Qual o sonho dourado dos arautos da austeridade?
Um dia, daqui a uns anos, vamos ter excedentes no comércio externo, como agora a Alemanha e a China. Então será a nossa vez de cantar de galo. Ai dos países que nos deverem! Vão pagar-nos com língua de palmo juros como aqueles que agora nos cobram. E os magníficos fundos de investimento vão acotovelar-se para comprar a nossa dívida pública e encontrar oportunidades de fazer negócios no nosso querido solo pátrio.
Os grandes "pensadores" de serviço não conseguem libertar-se deste modelo de desenvolvimento com longo lastro histórico. Como países ou como pessoas, eles só vêem para nós dois caminhos: ou nos pomos a jeito para explorar ou para sermos explorados.
Os cidadãos que se inquietam com esta perspetiva redutora e cristalizada têm obrigação de vir a terreiro sacudir as mentes e abrir outros modelos de desenvolvimento. Modelos em que o bem estar e a qualidade de vida de uns não se faça à custa do empobrecimento de outros e da exaustão dos recursos do nosso planeta.
A velha dicotomia entre direita e esquerda já não serve. O neoliberalismo exibe descaradamente o triunfo da acumulação sem limites, finta o frágil Estado-regulador e troça duma esquerda que se acantona atrás de slogans de redistribuição sem questionar o modelo de crescimento económico e de geração da riqueza.
Quem como eu viveu na juventude a agitação e os sonhos do Maio de 68 e do Abril 74 tem obrigação de assumir a sua quota parte de responsabilidade pela morte dos sonhos e pelo sufoco a que estamos remetidos.
E como consequência deve empenhar-se no desenho dos caminhos que actualizem esses sonhos.
Há dias o Movimento 12 de Março divulgou o manifesto do seu primeiro aniversário http://www.movimento12m.org/?q=node/211 onde preconiza a intervenção política de base e apela à apresentação de listas nas próximas eleições autárquicas.
Logo alguns iluminados vieram fazer chacota da corrida aos "tachos", mostrando a capacidade do sistema para descredibilizar todas as vozes desalinhadas e os ensaios de outras vias.
Prezo a minha independência mas não tenho dotes de visionário. Faço as minhas reflexões apoiado no que vivi e vivo, no que li e leio. É com estas limitações que irei trazer a esta página uma série de posts sobre a construção de alternativas que conduzam a um mundo mais justo, mais sustentável e com mais qualidade de vida.
E justamente começarei pela mobilidade sustentável, uma agenda que compromete em grande escala a mobilização das comunidades e autarquias locais.
A velha dicotomia entre direita e esquerda já não serve. O neoliberalismo exibe descaradamente o triunfo da acumulação sem limites, finta o frágil Estado-regulador e troça duma esquerda que se acantona atrás de slogans de redistribuição sem questionar o modelo de crescimento económico e de geração da riqueza.
Quem como eu viveu na juventude a agitação e os sonhos do Maio de 68 e do Abril 74 tem obrigação de assumir a sua quota parte de responsabilidade pela morte dos sonhos e pelo sufoco a que estamos remetidos.
E como consequência deve empenhar-se no desenho dos caminhos que actualizem esses sonhos.
Há dias o Movimento 12 de Março divulgou o manifesto do seu primeiro aniversário http://www.movimento12m.org/?q=node/211 onde preconiza a intervenção política de base e apela à apresentação de listas nas próximas eleições autárquicas.
Logo alguns iluminados vieram fazer chacota da corrida aos "tachos", mostrando a capacidade do sistema para descredibilizar todas as vozes desalinhadas e os ensaios de outras vias.
Prezo a minha independência mas não tenho dotes de visionário. Faço as minhas reflexões apoiado no que vivi e vivo, no que li e leio. É com estas limitações que irei trazer a esta página uma série de posts sobre a construção de alternativas que conduzam a um mundo mais justo, mais sustentável e com mais qualidade de vida.
E justamente começarei pela mobilidade sustentável, uma agenda que compromete em grande escala a mobilização das comunidades e autarquias locais.
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