sábado, 10 de novembro de 2012

Os lordes do Banco de Portugal


O orçamento de estado para 2013 vai continuar a roer-nos a carne a todos os que não temos por onde fugir: funcionários públicos, reformados e assalariados em geral.

A todos não.

Há alguns meses publiquei aqui um post em que julgava encontrar alguma sensatez no Banco Central Europeu (BCE), a propósito da sua escusa em apoiar a resistência do pessoal do Banco de Portugal aos cortes dos 13º e 14º meses.

Agora, a fazer fé nesta  notícia, o BCE deixou-se finalmente comover pelas queixinhas dos seus colegas portugueses.

O BCE, um dos membros da troika, que manda ou aplaude que nos esbulhem rendimentos acima de 600 €, vem agora clarificar as suas ideias. Atenção, dizem suas excelências, isto não se aplica aos nossos amiguinhos do Banco de Portugal.

O argumento é o de que os estatutos do BCE proibem financiamento direto dos bancos centrais ao governo. É uma norma muito discutível, mas quer simplesmente dizer que o BP não pode comprar dívida pública no mercado primário. 

Não pode querer dizer que os senhores que trabalham no BP estão isentos da sobrecarga de impostos que pesa sobre os demais cidadãos. Sobretudo porque esses senhores ganham em média oito ou nove vezes mais que os cidadãos comuns. Sobretudo porque os extras que nos estão a extorquir são também para cobrir os desvarios do sistema bancário, sob a tutela do BP.

Dar cobertura a isto chama-se em linguagem corrente compadrio. Em linguagem jurídica é nepotismo e tráfico de influências. Em linguagem moral é uma iniquidade. Em vernáculo nortenho é "uma filha da putice".

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