A notícia é catastrófica para o futuro do país. As bolsas de doutoramento atribuídas pelo Ministério da Educação - Fundação para a Ciência e a Tecnologia, para este ano 2013-14, foram 298 (9% das 3433 candidaturas). Estas bolsas, que chegaram a cerca de duas mil nos anos 2007 a 2010, ficam agora reduzidas a esta miséria.
Por outro lado, as bolsas de investigação (pós-doutoramento) atribuídas foram 210 (10% das 2100 candidaturas). Um corte abrupto em relação às cerca de seis centenas que vinham sendo atribuídas anualmente desde 2005.
Foi sublime a explicação que o ministro Crato deu aos jornalistas. Trata-se, diz ele, de aumentar a competitividade. Perceberam? Eu não. Pensava ingenuamente que ele estava interessado na competitividade do país e a explicação era absurda.
Mas depois meti-me nos meandros daqueles neurónios moldados contra o "eduquês" e descobri. Crato acha que se houver só duas centenas de investigadores reduz o risco de dar guarida a milhares de preguiçosos que só querem medrar à custa do contribuinte e que, se os candidatos forem verdadeiramente competitivos, conseguirão bolsas europeias e americanas.
Crato aplica às bolsas de investigação o mesmo princípio que Darwin enunciou para a reprodução das espécies: dez machos a competir pela mesma fêmea são a garantia da eficiência genética. Esquece-se de que quando as fêmeas são poucas a espécie caminha para a extinção.
Numa outra perspectiva, trata-se de aplicar ao nível da pós-graduação aquilo que o Crato está a adorar fazer aos miúdos de 10 anos: exibir nas pautas dos exames nacionais os pequenos génios que estão a emergir, e ostracizar os falhados que estão a estorvar os seus brilhantes colegas e desperdiçam o dinheiro dos contribuintes.
Triste país que tal Crato atura.
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