quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Recuperar os sonhos


No virar de mais um ano, quando devíamos cuidar de avivar os sonhos, somos atanazados pelo habitual ruído discursivo dos nossos governantes, a assombrar-nos com os pesadelos da dívida e da austeridade redentora.

Em busca de atalhos para escapar a estas narrativas opressivas, dei por mim a recordar as velhas músicas dos anos 60, que tanto alimentaram os inconformismos juvenis da minha geração.

Trauteei de novo Blowing in the wind (1963), de Bob Dylan (está aqui uma das muitas interpretações) e, não encontrando nenhuma tradução que me agradasse, deixo aqui a minha versão,  sem garantia de que se encaixe satisfatoriamente na música.

Quantas estradas tem alguém de andar
Até que lhe chamem pessoa?
Quantos mares há-de a pomba voar
Até repousar na areia?
Sim quantas armas se vão disparar 
Até serem por fim banidas?
 
 A resposta, amigo, sopra no vento
A resposta sopra no vento.

Sim quantos anos pode o monte existir
Até ser desfeito pelo mar?
Sim quantos anos pode haver pessoas
Esperando se libertar?
Sim quantas vezes vais virar a cara
Fingir que não estás a olhar?

A resposta, amigo, sopra no vento
A resposta sopra no vento

Sim quantas vezes os olhos tens de erguer 
Até que vislumbres o céu?
Sim quantas orelhas precisas de ter
Para ouvir o choro do povo?
Sim quantas mortes tens ainda de ver
Até as achares demais?

 A resposta, amigo, sopra no vento
A resposta sopra no vento.

Que o vento do poeta nos limpe dos fatalismos em que nos querem enredar.
Feliz Ano Novo!


Sem comentários: