Tornou-se uma banalidade atroz ouvir responsáveis públicos atirarem-nos à cara justificações completamente idiotas. Fazem-no com ar tão sério que nos deixam a dúvida: serão de facto idiotas ou estão mesmo convencidos de que somos suficientemente idiotas para acreditarmos neles?
Num bloco noticioso de hoje não precisei de muita atenção para reter duas amostras.
Numa peça sobre os imensos atrasos de atendimento na urgência do Amadora-Sintra, e bastos testemunhos de doentes sobre a insuficiência de médicos, o responsável do hospital não teve dúvidas em justificar-se: "O problema é haver doentes a mais". Faltou a conclusão: Já emigraram os enfermeiros e os médicos, é tempo de os doentes emigrarem também.
Outra peça prolongava os ecos do tal plano B de resposta ao Tribunal Constitucional, que reprovou o corte generalizado de 10% nas pensões dos funcionários públicos. A resposta luminosa do governo é aumentar mais uma vez a Contribuição Extraordinária de Solidariedade que, como é sabido, é um segundo IRS que incide apenas sobre os pensionistas e reformados.
Não é a isto que eu chamo idiotice. Isto é simplesmente um confisco.
O que vem à conta de idiotice é a justificação dada por um responsável do governo sobre esta decisão. Dizia ele com seu ar sisudo: "É esta a melhor maneira de diminuir o défice sem retirar dinheiro da economia". Isto é que é falar. Está-se mesmo a ver que os reformados estão habituados a pegar na enorme mordomia que recebem e a enviarem-na direitinha para as ilhas Caimão...
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