Jean Claude Juncker, que presidiu ao Eurogrupo e é agora o candidato do PPE (Partido Popular Europeu) à presidência da Comissão Europeia, esteve em Portugal a apoiar a campanha dos seus correligionários do PSD e CDS.
Tinha-o por uma pessoa respeitável, até ao momento em que o ouvi afirmar no discurso da Trofa: "Eles (os socialistas) lembram-me um dos vossos compatriotas mais prestigiados: Cristóvão
Colombo. Quando partia nunca sabia para onde ia, quando chegava nunca
sabia onde estava, e era o contribuinte que pagava a viagem".
Como velho português fiquei abismado. Primeiro com os aplausos dos presentes. Depois com a complacência dos comentadores que brincaram com a ignorância de Juncker em relação à nacionalidade do genovês. Poucos repararam que dentro deste embrulho de ignorância perdoável vinha o imperdoável veneno com que a Europa do centro e do norte nos vem matando: somos atavicamente uns desgovernados a necessitar de tutela alheia.
Não me incomodou a ignorância, mas incomodou-me, e muito, a arrogância e o insulto de um estrangeiro, na nossa própria casa. Os descobrimentos são o cimento do nosso orgulho nacional. A eles devemos que o português seja hoje a língua materna de centenas de milhões de pessoas, e que haja traços históricos da cultura portuguesa em todos os continentes. Ao empreendedorismo (não é assim que se diz?) das coroas portuguesa e espanhola deve a Europa ser hoje a referência civilizacional do mundo (para o bem e para o mal).
Compreendo que Juncker se incomode com esses tempos ignominiosos em que o Estado tinha uma visão estratégica e comandava a economia. Mas ao menos podia calar-se.
Compreendo que Juncker se incomode com esses tempos ignominiosos em que o Estado tinha uma visão estratégica e comandava a economia. Mas ao menos podia calar-se.
Ao insultar Colombo, Juncker denegriu despudoradamente toda a escola henriquina de navegação, que nos deu Bartolomeu Dias, Vasco da Gama, Álvares Cabral e muitos insignes geógrafos e demais cientistas que os aconselharam e acompanharam.
"Não sabia para onde ia... e era o contribuinte que pagava a viagem". Eis o auto-retrato do sr. Juncker e da generalidade dos atuais dirigentes europeus, a quem pagamos principescamente para nos levarem a um perigoso beco.
Tivéssemos nós líderes da têmpera dos navegadores quinhentistas e dos reis que os financiaram.
Adenda
Acabei de tomar conhecimento desta pérola que Juncker escreveu no seu twitter em 20 de Maio: "As pessoas são tão importantes como as mercadorias e o capital. Se estes podem circular livremente, também as pessoas devem poder". (People are just as important as goods and capital. If they can move freely, so people be able to).
Provavelmente incomodado com as críticas à secundarização das pessoas, este senhor vem brilhantemente defender-se: ora essa, uma pessoa não tem menos direitos do que um saco de batatas!
Por mim, talvez prefira ao sr. Juncker o saco de batatas na presidência da Comissão Europeia. Fazia o mesmo trabalho, que é dobrar-se perante o poder germânico, e ficava mais barato.
Por mim, talvez prefira ao sr. Juncker o saco de batatas na presidência da Comissão Europeia. Fazia o mesmo trabalho, que é dobrar-se perante o poder germânico, e ficava mais barato.
Sem comentários:
Enviar um comentário