Nada tenho de original. Sou um cidadão europeu zangado.
Os pais fundadores da União Europeia lançaram as bases duma Europa pacífica, próspera e solidária que recuperasse o melhor da Pax Romana de há dois mil anos.
A globalização económica e financeira dos últimos trinta anos converteu o mundo numa arena especulativa e predadora. E a Europa, em vez de reagir como um bloco de resistência democrática à cupidez desregulada dos mercados, entrou no frenesim do salve-se quem puder.
Temos líderes cuja memória histórica começa no último boletim estatístico do Eurostat e termina nas cotações da bolsa desta manhã, e cujo horizonte futuro não vai além do próximo ato eleitoral.
Temos líderes que nunca são responsáveis por nada do que corre mal, mas inventam todos os pretextos para se exibirem ao lado dos vencedores do momento, seja nos negócios, nas artes ou no desporto.
Temos líderes dos países ricos que chamam preguiçosos aos países pobres e lhes ensinam paternalmente que se trabalharem mais e comerem menos também chegarão a ricos.
Temos líderes dos países pobres que chamam benfeitores aos países ricos porque estes compram as suas empresas e emprestam dinheiro pelo preço que bem entendem.
Temos cidadãos que acham que o mundo é assim e não há volta a dar. Cidadãos que aceitam conformados o regresso ao sistema de desigualdades inatas, anterior à revolução francesa.
E temos cidadãos zangados. Cidadãos que infelizmente não se entendem quanto ao rumo a tomar. Mas sabem que o caminho não é este.
Sou um cidadão zangado. E hoje vou votar.
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