A quinze dias das folias vem o governo decretar que não há tolerância de Carnaval para os funcionários públicos.
É das repartições públicas que falamos. Porque a maioria das convenções colectivas do sector privado decretam o dia de Carnaval como feriado obrigatório. Por enquanto...
Questionado pelos jornalistas sobre a matéria, o primeiro-ministro foi desenterrando ao longo do dia umas justificações curiosas, qual delas a mais coxa.
1. "Espero que os portugueses percebam que não estamos em tempo de falar de tradições. [É preciso] distinguir entre quem quer superar a crise e quem quer ficado agarrado às velhas tradições”.
Que pérola de sabedoria! As tradições são contrárias à superação da crise. Não está mal visto, não senhor. Esta tradição de confiar na capacidade do governo é capaz de nos enterrar cada vez mais.
2. "É preciso transformar os velhos comportamentos preguiçosos em comportamentos descomplexados, abertos e competitivos".
Afinal, o problema não são as tradições. É a preguiça, meus senhores.
3. Dois dias trabalho (contando com a segunda-feira) «fazem muita diferença à economia do país». E, acrescenta a notícia, Passos Coelho incentivou os jornalistas a dividir o Produto Interno Bruto (PIB) do país pelos dias de trabalho...
Pois. Esqueçam essas histórias de tradições e de preguiça. A questão é mesmo de contas. Se é para dividir o PIB pelos dias úteis, então dois dias valem 1300 milhões de euros, quase 1% do PIB. Que maravilha! Então porque é que, mesmo com o corte de quatro feriados e três dias de férias, a previsão do ano é a queda de 3% do PIB?
4. "Recordam-se o caricato que foi na altura [Junho de 2011], que foi a troika estar em Lisboa a trabalhar, para saber como deviam fechar o acordo de ajuda a Portugal, estando o país fechado para férias devido a umas pontes”.
Ah! O Passos reconhece que não conseguiu dizer coisa com coisa a respeito desta coisa do Carnaval e resolve ser sincero: O que me custa é aparecerem-me aí esses tipos da troika e encontrarem a malta mascarada no bailarico em vez de enfronhada no fato-macaco. Vou passar uma vergonha quando a Merkel souber.
Em resumo. A única coisa que se percebe é que os funcionários públicos continuam a ser os bombos da festa. (Declaração de interesses: Não sou funcionário público).
E para os chatear nem sequer se hesita em dar um rombo no tão periclitante turismo interno.
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