segunda-feira, 25 de junho de 2012

Pecados bispais


Nos últimos dias vieram à baila duas histórias de bispos latino-americanos, com ingredientes de sexo, poder e dinheiro.

O bispo argentino Fernando Bargalló viu publicadas fotos denunciadoras da sua relação amorosa com "uma amiga de infância", tiradas durante umas férias numa estância turística de luxo.

No país ao lado, Fernando Lugo, o presidente do Paraguai, que se demitiu de bispo para concorrer à presidência em 2008, viu-se destituído pelo Senado devido a "mau exercício" das suas funções. Líder carismático eleito com promessas duma ambiciosa reforma agrária, sofreu a erosão do apoio popular não apenas pelas dificuldades do seu projeto mas também porque teve de reconhecer a paternidade dum rapaz nascido quando ainda era bispo. Claro que o "mau exercício de funções" foi uma hábil fabricação dos interesses atingidos pela sua política. Mas ajudou muito a exploração da mancha moral no currículo dum servidor da Igreja.

Histórias banais nos homens comuns tornam-se histórias escandalosas quando têm por protagonistas os homens da alta hierarquia católica.

Os católicos devotos tomam por conspiração a apetência da comunicação social por estas histórias. Pelo contrário, acho que é um reconhecimento dos elevados padrões comportamentais que se esperam das pessoas de tal condição.

Mas é também um alerta para os perigos do imobilismo do Vaticano em matéria de celibato tal como nas demais matérias conexas: sexo, casamento e lugar das mulheres na igreja.

Sabe-se que a promoção ao episcopado é precedida dum escrutínio rigoroso do perfil do candidato. Se mesmo assim acontecem estes "distúrbios comportamentais", o que é que se passará entre os simples padres?

De quanto tempo mais precisa a Igreja Católica para rever os seus conceitos e práticas sobre a sexualidade?

O dualismo alma/corpo é uma herança da alta idade média, não dos Evangelhos nem da igreja primitiva.


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