Confesso que sou bastante tardo em entender as mentes cínicas. Por feitio e por modelação profissional dou à partida um crédito de boa fé e atribuo as atitudes impróprias à ignorância ou a ideias erróneas.
Zurzi aqui por várias vezes a obstinação austeritária e o empobrecimento forçado, mas sempre na convicção de que os seus autores não enxergavam outra maneira de controlarem as contas públicas.
Prometiam-nos é certo um amanhã de prosperidade que eu não vejo donde nasceria, mas interpretei a promessa como um diáfano manto de fantasia para suavizar a crueza dos sacrifícios presentes.
Ainda há uma semana, quando critiquei a subida da TSU dos trabalhadores e a sua entrega aos patrões, eu pensava que se tratava duma forma atabalhoada de dar liquidez às empresas, na crença virtuosa de estancar a hemorragia do emprego.
Foi preciso que o Passos Coelho, cercado pela tempestade, começasse a disparar em todas as direções, para eu finalmente perceber a verdade nua e crua, evidenciada na entrevista à RTP e em declarações avulsas: é necessário baixar os custos do trabalho para nos tornarmos competitivos numa economia global.
Passos disse-o com toda a candura e apelou a que viessem a terreiro todos os que pensam como ele. Obviamente há demasiados que pensam como ele. Mas a maioria são suficientemente espertos para o dissimular.
Mas o projeto está aí. A espantosa estratégia que este governo tem para Portugal é a rápida erosão salarial até chegarmos ao ponto de atrairmos o retorno das indústrias que migraram para o terceiro mundo. A espantosa estratégia deste governo é transformar o País no quintal para reintroduzir na Europa as indústrias de baixa tecnologia e mão-de-obra intensiva que finalmente nos guindarão ao pleno emprego.
Quem não se revê nesta estratégia de regresso à escravatura só tem duas opções. Ou prepara as malas da emigração. Ou então ergue-se em força e em participação cívica na construção urgente duma alternativa.
É por isto que estive na manifestação de hoje.
Foi preciso que o Passos Coelho, cercado pela tempestade, começasse a disparar em todas as direções, para eu finalmente perceber a verdade nua e crua, evidenciada na entrevista à RTP e em declarações avulsas: é necessário baixar os custos do trabalho para nos tornarmos competitivos numa economia global.
Passos disse-o com toda a candura e apelou a que viessem a terreiro todos os que pensam como ele. Obviamente há demasiados que pensam como ele. Mas a maioria são suficientemente espertos para o dissimular.
Mas o projeto está aí. A espantosa estratégia que este governo tem para Portugal é a rápida erosão salarial até chegarmos ao ponto de atrairmos o retorno das indústrias que migraram para o terceiro mundo. A espantosa estratégia deste governo é transformar o País no quintal para reintroduzir na Europa as indústrias de baixa tecnologia e mão-de-obra intensiva que finalmente nos guindarão ao pleno emprego.
Quem não se revê nesta estratégia de regresso à escravatura só tem duas opções. Ou prepara as malas da emigração. Ou então ergue-se em força e em participação cívica na construção urgente duma alternativa.
É por isto que estive na manifestação de hoje.
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