"Vivemos acima das nossas possibilidades" continua a ser o mote dos nossos governantes. "Cortar nas gorduras do Estado" é a palavra de ordem.
Até agora as únicas gorduras cortadas, e com que dor, foram os salários dos funcionários públicos e as pensões de todos os reformados.
Todas as baterias propagandísticas estavam apontadas para as rendas astronómicas das parcerias público-privadas. Mas até agora os únicos cortes resultaram da suspensão das obras e da diminuição das obrigações que cabiam aos concessionários.
No entanto o ministro Álvaro e os seus rapazes nas empresas públicas têm uma necessidade louca de apresentar poupanças ao Gaspar e vá de puxar pela imaginação.
"Eu como português, custa-me ter 42 limpa-neves em Portugal, 51 centros
de apoio e manutenção em Portugal, patrulhamentos de duas em duas horas
sem qualquer utilidade específica e sem qualquer paralelo na Europa e,
como português, custa-me porque os portugueses pagam isso tudo".
Confesso que não sei se os limpa-neves são muitos ou poucos, e o senhor presidente também não esclarece. Apenas acrescenta que tal nível de segurança não tem paralelo na Europa. E isto causa-me bastante confusão. Se calhar ele acha que a Europa são as belas praias do Sul e do Oeste, e que as nossas ríspidas serras interiores devem ficar na cordilheira dos Himalaias.
Para ilustrar a sua inabalável determinação nas poupanças acrescentou: "Garanto que não vou pedir para porem nas estradas portuguesas sinalização em ouro".
Assim mesmo é que é falar. Limpa-neves são tão sumptuários como sinalização em ouro. Não vamos ter para aí esses brinquedos parados por causa duma dúzia de nevões por ano.
E já agora, senhor presidente, passe a ideia aos outros ministros, que são uns tapados e ainda não perceberam as inutilidades que nos obrigam a pagar. Fale ao ministro da administração interna e ao ministro da defesa nos custos astronómicos dos dispositivos de ataque aos incêndios e dos meios de salvamento marítimo. Que também estão parados a maior parte do ano. Uma afronta à nossa pobreza.
Tem razão, senhor presidente. Não queremos viver acima das nossas possibilidades. E já agora, auto-extinga o seu cargo. Não temos possibilidades de pagar aos fala-barato inúteis.
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