segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Qual crise? - pergunta o Banco de Portugal


Os trabalhadores do Banco de Portugal vão ser poupados aos cortes do 13.º e 14.º mês e já estão a ser informados disso, noticia hoje o "Jornal de Negócios".

Pois claro. É preciso aproveitar aquele buraquinho da lei orgânica que diz ser o BP um instituto público independente.

Parvos que nós somos. Pensávamos que a independência era para não fazer fretes ao ministro das finanças. Não. A independência é para fugir aos sacrifícios exigidos aos demais servidores da República.

Já não bastava o governador ganhar por mês mais de 15.000 euros, mesmo depois do corte de 10% em vigor desde 2011. E os restantes membros do conselho de administração ganharem mais de 13.000 € por mês. Acima do dobro do primeiro-ministro que os nomeia.

Também o Instituto de Segurança Social é uma pessoa colectiva de direito público.

Competindo-lhe gerir as reformas do sector privado, pergunto porque é que não tem a mesma habilidade do BP e recusa cortar o 13º e o 14º mês aos aflitos dos reformados que ganham acima de 600 euros. É que, no caso, nem sequer se trata dum salário mas sim da devolução dos descontos efectuados, para quem julgávamos ser o bom gestor do nosso sistema previdencial.

Temos mesmo de conformar-nos em não sermos cidadãos da mesma pátria?

A crise só chegou a alguns. Aos mesmos de sempre. Os que auferem rendimentos à volta da média têm a insustentável missão de sustentar por um lado as mordomias e excessos das elites e, por outro, os apoios sociais aos desfavorecidos.

Até quando?

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