Há uns anos atrás poderíamos encarar com alguma bonomia a notícia da nomeação do Catroga para presidente não executivo da EDP, com a belíssima remuneração anual de 638 mil euros (notícia fresquinha da RTP).
Podíamos roer-nos de inveja mas acalentávamos a secreta esperança de que algum dia a roda da fortuna virasse e nos pusesse no regaço um tachinho nem que fosse 30 vezes mais fraco do que o dele.
Mas agora não há paciência. Assaltam-nos os magros rendimentos de todas as maneiras e feitios. E foi na eletricidade que levámos um dos maiores rombos. Podiam ao menos mostrar um bocadinho de pudor.
E logo esse senhor Catroga, um dos grandes negociadores e entusiastas das medidas da troika.
E logo o Catroga que ainda há um mês vociferou contra a cedência do seu partido em suavizar um pouquinho os roubos do 13º e do 14º mês.
E logo o Catroga que acha as medidas de austeridade imprescindíveis e inteiramente imbuídas de equidade fiscal.
E logo o Catroga, um dos mais encarniçados moralistas contra os nossos hábitos de esbanjamento e de incapacidade de poupança.
Pois, pois. O Catroga, por muito que se esforce, não vai conseguir esbanjar tanta massa. Já não tem pernas para isso.
Proponho que o Catroga seja nomeado patrono dos poupados. Proponho que o Catroga publique no final do mês quanto conseguiu poupar do seu ordenado. Proponho que seja instituído um prémio para quem mais se aproximar do seu nível de poupança.
O primeiro prémio será um cheque de valor igual ao recente aumento das pequenas pensões. Para lembrar aos pensionistas o seu dever de poupança. Como manda Catroga, o patrono dos poupados.
1 comentário:
Regresso agora ao meu texto para dois comentários:
1) Na altura da sua publicação não se sabia ainda que o Catroga ia acompanhado dum carrossel de gente da mesma extração. Posso sem problemas generalizar o comentário e intitular: Viva o CEO e Cª.
2) A controvérsia pública, se bem ouvi, foi assim: (pro) os acionistas é que sabem; (contra) todos da mesma cor política é coincidência a mais. Pois a mim o que me interessa sublinhar é que o mais miserável cliente da EDP, se não quiser ficar às escuras, vai ter de contribuir para que estes senhores ganhem mais do dobro do presidente dos Estados Unidos e o nosso país fique vergonhosamente mais desigual.
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