O ministro da Segurança Social anunciou com grande estrondo que, graças à sua boa governação, um milhão de portugueses vão ser poupados às agruras da crise.
E quem são os felizardos? São os beneficiários da pensão social, da pensão dos rurais e da pensão mínima. Viram subir o seu rendimento em 6 ou 7 euros para respetivamente 195, 234 e 254 euros por mês. Magnífico!
Acima desse valor, tenham paciência, são praticamente ricos, têm de colaborar na salvação do país.
E não se esqueçam dos detalhes. Se acumularem pensõezinhas, por exemplo sobrevivência e complemento solidário para idosos, é a soma de tudo que conta. Não vão petiscar o aumento.
Até aqui nada de espantar. O partido do senhor ministro é muito experiente nestas magias.
O que verdadeiramente me espantou – e me escandalizou – foi ouvir o ministro gabar-se de que os contribuintes nada sofreriam com este aumento. O dinheiro do aumento virá do que se vai poupar no rendimento social de inserção (RSI).
Não entendo como há tanta gente interessada em cultivar o mito de que o RSI é o sustento dos mandriões. Se há algum perigo nessa medida é a de nos embotar a sensibilidade para os dramas pessoais e familiares que nos rodeiam, à sombra da ilusão de que os nossos impostos chegarão a todos os necessitados.
Sei do que falo. Tenho experiência na aplicação da medida. Hoje, e infelizmente no futuro próximo, há cada vez mais desempregados de longa duração a quem, no final do subsídio de desemprego, só resta a humilhação de exporem a sua miséria a funcionários carregados de papeis e de regras para tentarem obter umas dezenas de euros mensais deste providencial Estado.
Com a montanha de burocracia com que esta medida está a ser embrulhada, muitos potenciais beneficiários preferem desistir e entregarem-se aos expedientes mais ou menos marginais de sobrevivência.
E é com essa maravilhosa poupança que o ministro vai dar mais 6 euros aos pobres pensionistas, que estão apenas um degrau acima do RSI na escala da miséria instalada neste nosso mundo desigual.
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