quinta-feira, 31 de maio de 2012

Calculadoras falantes


Anteontem pus aqui os meus remoques ao sermão de Mme Lagarde aos gregos, que obviamente é também para nós portugueses. 

Pois não é que ontem mesmo a comissão europeia, no seu comentário aos planos nacionais de reforma, vem dizer que, depois das alterações na legislação portuguesa, a duração do subsídio de desemprego ainda é demasiado longa!

Aquela gente de Bruxelas não se conforma com a crise preguiceira que atinge mais de 15% dos nossos concidadãos. E tenciona apertar com eles para que se mexam, seus calões.

Volto talvez demasiadas vezes a este tema porque ficar sem um mínimo de recursos de subsistência é um gravíssimo atentado à dignidade humana.

Eles, os arautos da austeridade, não escondem a sua agenda. Altos níveis de desemprego geram uma desvalorização salarial que nos tornará "competitivos".  Como sugeria Lagarde, enquanto não chegarmos ao patamar do Níger temos muito caminho para andar. Ora se as pessoas ficarem atreladas a um subsídio e não ficarem imediatamente disponíveis para o trabalho quase escravo lá se atrasa a "revolução competitiva".

Adicionalmente eles confessam-se surpreendidos com a elevada taxa de desemprego e não lhes sai da cabeça que a malta anda a arranjar esquemas para viver na praia à custa do Estado. 

Calculadoras falantes que se orgulham de ser, nunca poderão admitir que se enganam; os factos é que estão enganados. Com uma boa cura de fome, eles acreditam que os números do desemprego hão-de ir ao sítio e a teoria voltará a ter razão.



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