Mais um treze de Maio. Fátima cheia de gente. Reportagens em vários tons.
Apontamentos exóticos: queimaram-se 19 toneladas de cera.
Imagens chocantes: peregrinos de rastos na passadeira do cumprimento das promessas.
Nos dias anteriores outras imagens semelhantes: pagadores de promessas no limite da resistência por centenas de quilómetros a caminhar.
Os responsáveis da igreja católica resguardam-se na ambiguidade.
Não se vêem padres ou bispos a imolarem o corpo no cumprimento de promessas. Ora não acredito que eles não passem também por momentos de aflição como os demais crentes. Mas eles sabem que os evangelhos têm muitas censuras à autoflagelação, especialmente quando feita em público. Eles sabem que a penitência advogada por Cristo é socorrer o próximo nas suas tribulações.
Não se vêem padres ou bispos a imolarem o corpo no cumprimento de promessas. Ora não acredito que eles não passem também por momentos de aflição como os demais crentes. Mas eles sabem que os evangelhos têm muitas censuras à autoflagelação, especialmente quando feita em público. Eles sabem que a penitência advogada por Cristo é socorrer o próximo nas suas tribulações.
Pergunto-me porque não querem ou não ousam dizer a esses penitentes que só um deus sádico poderia comprazer-se com o sofrimento inútil dos homens e das mulheres.
Pergunto-me porque aprovam indiretamente tal degradação do comportamento humano ao construírem no recinto uma passadeira de pedra para tal fim, antecedida de um cartaz com uma sugestão de oração antes de cumprir a promessa.
Pergunto-me porque não ensinam que as promessas sacrificiais feitas no meio duma aflição devem ser convertidas num serviço de amor ao próximo para assim se tornarem agradáveis a Deus e a Maria Sua Mãe.
Sei que há pessoas que resistem a varrer das suas mentes este Deus tirânico, mas é obrigação dos líderes religiosos fazerem uma pedagogia ativa e persistente pelos valores do Evangelho. Não se desculpem com o respeito pela religiosidade popular. Isto não é respeito. É cumplicidade com atentados antievangélicos à dignidade humana.
Sei que há pessoas que resistem a varrer das suas mentes este Deus tirânico, mas é obrigação dos líderes religiosos fazerem uma pedagogia ativa e persistente pelos valores do Evangelho. Não se desculpem com o respeito pela religiosidade popular. Isto não é respeito. É cumplicidade com atentados antievangélicos à dignidade humana.
1 comentário:
Reflexões como estas deveriam chegar ao céu... É sem dúvida um atentado à dignidade humana! Mas faço um esforço e quase consigo perceber que em momentos de grande apreensão se cometam loucuras. Não digo "desta água não beberei".
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