O assunto foi tratado primeiro com recurso à matemática. Dois feriados religiosos mais dois pátrios e fica perfeita a adição e a proporção. Para que o povo não se esqueça que o nosso problema são as contas e é preciso mostrar aos credores que sabemos fazê-las.

Ponto um, feriados pátrios.
O povo já não sabe o que anda comemorar. A iliteracia histórica é arrepiante e podem-se poupar explicações. No 5 de Outubro fazem-se uns discursos na Câmara de Lisboa, nada que justifique deixar a malta a preguiçar. No 1º de Dezembro há uns saudosistas que fazem romarias pela dinastia de Bragança. Afinal aquela que foi mandada bugiar pelo 5 de Outubro. Cortar os dois é uma decisão salomónica.
Do passado já só fica o boémio do Camões a perturbar-nos a produtividade.
Pensando bem, não faz sentido ou é até perigoso, nos tempos que correm, consumir tempo e dinheiro com celebrações simbólicas da identidade pátria. O que conta mesmo é gerir o País como uma grande empresa que tem de fazer boa figura perante os seus parceiros de negócios. Nenhum credor aprecia ver uma empresa devedora a fazer feriados pelos seus fundadores.
Ponto dois, feriados religiosos.
Fiquei pasmado com a celeridade com que a Igreja portuguesa estendeu a passadeira ao pedido governamental. Terão os bispos medo de ser acusados de obstaculizar a produtividade? Ou terão pensado assim: ah, esta boa gente não quer vir à missa (salvo uns resistentes 15 ou 20%), tomem lá, vão trabalhar porque a preguiça é um pecado capital.
Quanto à escolha, claro que tinha de ser o Corpo de Deus, ali sempre numa quinta-feira dos primeiros calores estivais, a convidar para uma imperdível escapadela onde podem caber pelo menos metade dos pecados capitais.
O outro, a Assunção, confesso que não entendo a sua escolha. O 15 de Agosto é o eixo organizador de mais de metade das romarias populares do nosso País. Muitos dedicados voluntários, que por todo o lado mantêm vivas as tradições comunitárias, vão ficar entalados pelas obrigações laborais se o dia não estiver abrangido pelo seu período habitual de férias.
A mensagem subliminar é a de que a Igreja já nada tem a dizer ao afã produtivo e acumulativo tão censurado no Evangelho.
Compare-se com os engulhos sempre mostrados pela hierarquia católica com a legislação sobre educação sexual nas escolas, protecção das uniões de facto, casamentos homossexuais, legalização do aborto. Talvez devamos pensar que é bem vindo tudo o que roubar o tempo disponível para o sexo e vícios conexos.
As 30 horas anuais de trabalho que estes feriados oferecem à produtividade são uma ninharia perante as 115 horas acrescentadas pelo aumento de meia hora diária.
Afinal se em vez de meia hora acrescentassem 37 minutos à jornada de trabalho, já não era preciso torpedear os feriados.
Mas se calhar não enchia tanto o olho aos gulosos credores que capturam alegremente todos os ganhos na factura dos juros.
E agora vamos à escolha.
Ponto um, feriados pátrios.
O povo já não sabe o que anda comemorar. A iliteracia histórica é arrepiante e podem-se poupar explicações. No 5 de Outubro fazem-se uns discursos na Câmara de Lisboa, nada que justifique deixar a malta a preguiçar. No 1º de Dezembro há uns saudosistas que fazem romarias pela dinastia de Bragança. Afinal aquela que foi mandada bugiar pelo 5 de Outubro. Cortar os dois é uma decisão salomónica.
Do passado já só fica o boémio do Camões a perturbar-nos a produtividade.
Pensando bem, não faz sentido ou é até perigoso, nos tempos que correm, consumir tempo e dinheiro com celebrações simbólicas da identidade pátria. O que conta mesmo é gerir o País como uma grande empresa que tem de fazer boa figura perante os seus parceiros de negócios. Nenhum credor aprecia ver uma empresa devedora a fazer feriados pelos seus fundadores.
Ponto dois, feriados religiosos.
Fiquei pasmado com a celeridade com que a Igreja portuguesa estendeu a passadeira ao pedido governamental. Terão os bispos medo de ser acusados de obstaculizar a produtividade? Ou terão pensado assim: ah, esta boa gente não quer vir à missa (salvo uns resistentes 15 ou 20%), tomem lá, vão trabalhar porque a preguiça é um pecado capital.
Quanto à escolha, claro que tinha de ser o Corpo de Deus, ali sempre numa quinta-feira dos primeiros calores estivais, a convidar para uma imperdível escapadela onde podem caber pelo menos metade dos pecados capitais.
O outro, a Assunção, confesso que não entendo a sua escolha. O 15 de Agosto é o eixo organizador de mais de metade das romarias populares do nosso País. Muitos dedicados voluntários, que por todo o lado mantêm vivas as tradições comunitárias, vão ficar entalados pelas obrigações laborais se o dia não estiver abrangido pelo seu período habitual de férias.
A mensagem subliminar é a de que a Igreja já nada tem a dizer ao afã produtivo e acumulativo tão censurado no Evangelho.
Compare-se com os engulhos sempre mostrados pela hierarquia católica com a legislação sobre educação sexual nas escolas, protecção das uniões de facto, casamentos homossexuais, legalização do aborto. Talvez devamos pensar que é bem vindo tudo o que roubar o tempo disponível para o sexo e vícios conexos.
As 30 horas anuais de trabalho que estes feriados oferecem à produtividade são uma ninharia perante as 115 horas acrescentadas pelo aumento de meia hora diária.
Afinal se em vez de meia hora acrescentassem 37 minutos à jornada de trabalho, já não era preciso torpedear os feriados.
Mas se calhar não enchia tanto o olho aos gulosos credores que capturam alegremente todos os ganhos na factura dos juros.
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