quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

O conforto do desemprego


Nos finais de Outubro, o secretário de estado da juventude convidou os jovens portugueses a saírem da sua "zona de conforto" e emigrarem.

Não liguei ao caso, que tomei à conta daquele senhor secretário querer ficar com menos fregueses para lhe diminuir o stress governativo.
O que eu percebi foi mais ou menos isto: Então vocês, seus matulões, estão para aí no conforto e na boa vida à espera que eu lhes arranje emprego ou subsídio e eu aqui a trabalhar que nem um mouro... Vão lá para fora, calões...

Mas os superiores hierárquicos ficaram encantados com a dica e não tardaram em cavalgar a onda. Há dias o chefe Passos plagiou descaradamente o seu ajudante e estendeu o conselho aos adultos, no caso os professores, e quis dar substância à lição: a emigração pode ser para os países lusófonos da África e também para o Brasil. Pelos vistos ele não tem lá grande fé que os nossos docentes saibam falar outras línguas.

Levantou-se um clamor público porque, como somos broncos, não nos apercebemos da sábia estratégia governamental de correção do défice externo: Empobreçam para não comprarem utilidades e inutilidades, e depois ponham-se a milhas porque sempre arranjarão maneira de mandarem para cá uns dólares que aliviarão a dívida.

"Só quem tem uma visão conservadora é que não acompanha os sinais dos tempos", é como o ministro Relvas responde aos críticos deste engenhoso programa.
Portanto para o Relvas a reforma estrutural é mesmo pôr os portugueses fora das fronteiras. Imagino que os governantes serão os últimos a perder o emprego e caber-lhes-á naturalmente fechar a porta. Já com as contas em ordem, julgo eu...

Um emigrante de luxo, o eurodeputado Paulo Rangel, veio à liça dar mais um glorioso contributo para a afinação da estratégia. É assim: cria-se uma agência governamental para apoiar os despachados para a emigração... É óbvio que ele sabe que as vagas no parlamento europeu já estão preenchidas e é preciso pensar em ocupações mais comezinhas...

Hoje ouço o comissário europeu László Andor vir lamentar a situação de desemprego generalizado dos jovens europeus e apontar as responsabilidades dos governos da União que não usam os fundos comunitários consignados à promoção do emprego, o que está a ter como consequência uma numerosa corrente migratória para o Brasil, Angola e Moçambique entre outros países.

Fiquei assim a saber que o Coelho e o Relvas fizeram batota, ao usarem informação privilegiada. Vieram apresentar como projecto inovador uma emigração que já estava em marcha, para depois se poderem gabar de obra feita que não fizeram...

Valha-nos o Menino Jesus...

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